Daniel Alvim está de volta com a comédia de sucesso na Broadway

João Caldas

11/03/2014 18:03 - Do ClickCultural

No Quarto ao Lado, a Comédia do Vibrador, divertida e elegante comédia sobre sexo, reestreia no Teatro Gazeta dia 14 de março.

Dirigida por Yara de Novaes, a peça tem como ponto de partida a história da criação do vibrador, no século XIX, como método terapêutico para a histeria feminina. Sucesso na Broadway, o texto de Sara Ruhl, apresentado em tradução de Clara Carvalho, é interpretado por Daniel Alvim, Marisol Ribeiro, Julia Ianina, Luciano Gatti, Rafael Primot, Maria Bia e Fafá Rennó.

Inglaterra do século XIX. Pouco depois da descoberta da energia elétrica, os consultórios médicos são tomados por mulheres curiosas com um novo método terapêutico: o uso de vibradores elétricos para aliviar crises nervosas e histeria. Esse é o ponto de partida da divertida e elegante comédia No Quarto ao Lado – a Comédia do Vibrador, dirigida por Yara de Novaes, que após apresentações no Teatro Jaraguá, retorna aos palcos paulistanos, agora no Teatro Gazeta a partir 14 de março. Para a diretora, “a nova temporada é um privilégio numa época em que projetos teatrais não ganham continuidade, espetáculos fazem temporadas-relâmpago e logo em seguida caem no esquecimento do público”.

Inspirada nas recomendações médicas da Era Vitoriana, a norte-americana Sara Ruhl escreveu o texto que se tornou um grande sucesso da Broadway e conquistou três prêmios Tony. A história, sobre a emancipação das mulheres – vistas até então por cientistas e psiquiatras como seres inferiores aos homens – foi traduzida para o público brasileiro por Clara Carvalho, responsável pela adaptação de outros espetáculos estrangeiros de grande sucesso por aqui, como Toc Toc. No Quarto Ao Lado – a Comédia do Vibrador aborda de maneira sofisticada como o estímulo elétrico nas zonas erógenas femininas passou a ser utilizado como método científico.

Naqueles tempos, muitas mulheres com alterações hormonais ou de humor eram diagnosticadas como “histéricas”. Tratá-las com vibradores elétricos possibilitava não somente a descoberta de novos prazeres e uma nova relação com seu corpo, mas a via de libertação dos espartilhos – reais e metafóricos – da sociedade que as oprimia. A montagem apresenta ao público, de maneira muito bem-humorada, os primeiros passos das mulheres rumo à sua emancipação, há mais de dois séculos.

O espetáculo reestreia dia 14 de março, sexta-feira, às 22h45, no Teatro Gazeta. Inteligente e divertida, a comédia cativa o público de diversas idades com uma interessante mescla de sexo, dados históricos, e fina ironia. Convidada para a direção pelos produtores LG Tubaldini Jr. e Giuliano Ricca, Yara de Novaes conta com um elenco jovem que, acompanhado de um piano em cena, canta e dança em cena: Daniel Alvim (Dr. Givings), Marisol Ribeiro (Catherine Givings), Julia Ianina (Sabrina Daldry), Luciano Gatti (Sr. Daldry), Rafael Primot (Leonard Irving), Maria Bia (Elizabeth) e Fafá Rennó (Annie). O figurino é de Fábio Namatame, cenário de André Cortez, trilha sonora de Dr. Morris, luz de Kleber Montanheiro e tradução de Clara Carvalho.

Sinopse:

Provocativa e engraçada, a trama acontece em 1880, e mostra os casos clínicos que passam pelo consultório do Dr. Givings, jovem médico obcecado por novidades científicas, pelas maravilhas da tecnologia, e o que ela pode fazer por seus pacientes. Seguindo um método científico, ele aplica o recém-descoberto aparelho na região erógena das mulheres a fim de testar suas propriedades terapêuticas, descobrindo na vibração elétrica a cura para problemas como depressão ou distúrbios de humor.

Catherine, sua esposa, é apenas uma espectadora – ouvindo atrás da porta do quarto onde o marido trata suas pacientes. Dr. Givings não tem certeza de como o aparelho ajuda suas pacientes, que continuam voltando. A única mulher cujo problema não é tratado pelo médico é sua esposa, que sonha em conectar-se com ele não eletricamente.

Os atores e seus personagens:

Daniel Alvim – Dr. Givings
“Meu personagem é um médico progressista, que experimenta técnicas avançadas para a época, como massagear a mulher para ela poder gozar.” Metódico e cientificista, difunde seu método em suas pacientes, mas é insensível às necessidades de sua esposa, com quem não consegue estabelecer uma conexão emocional. A história da invenção do vibrador coincide com a história da mulher. Hoje em dia, todo mundo sabe o que é orgasmo, mas naquela época as pessoas pensavam ‘o que é isso? Soltar alguns líquidos e ainda sair sorrindo? Se até hoje uma grande porcentagem das mulheres ainda não consegue gozar, imagina naquela época?”.

Júlia Ianina – Sabrina Daldry
Paciente histérica, com crises nervosas e distúrbios de humor. É levada pelo marido para se tratar com Dr. Givings e obrigada a se confrontar com seus desejos e impulsos. “Os sintomas da doença vão diminuindo, ela fica mais alegre, corada, relaxada. É divertido fazer esse percurso. A Yara foi conduzindo os ensaios e nos ajudando a criar cada personagem. Pouco a pouco, eles foram aparecendo nas improvisações.” É Júlia quem toca o piano em uma das cenas mais divertidas - a música Os Dedinhos da Sra. Daldry, trilha original da peça.

Marisol Ribeiro – Catherine Givings
A personagem simboliza a inquietação das mulheres, que eram o tempo todo privadas do seu direito de se expressar. É expansiva, efusiva e curiosa, mas está abalada porque acabou de ser mãe e não tem leite. Por isso, ao mesmo tempo em que é ela quem faz os outros personagens se soltarem, continua presa às convenções sociais de um casamento morno e sem paixão. “O que ela mais quer é se relacionar com as pessoas, mas é podada o tempo todo pelo marido, porque ele tem medo disso interferir no tratamento.”

Luciano Gatti – Sr. Daldry
É ele quem faz o contraponto à personagem Catherine. É um tipo grosseiro e inconveniente. Apegado ao dinheiro e às convenções sociais, centraliza todos os preconceitos da época. “Meu personagem é a representação da sociedade machista, que não entendia a mulher e nem queria entender.” Diante das crises da mulher, Sr. Daldry se apaixona por Catherine, mulher cheia de energia, exuberante, alegre, robusta, e isso é tudo o que quer encontrar numa mulher.”

Fafá Rennó – Annie
Mulher de 30 anos que nunca se casou, parteira. Assistente do Dr. Givings, estabelece relação próxima com os pacientes, sobretudo com Sabrina Daldry. Quando o aparelho elétrico falha por questões técnicas, Annie se encarrega de fazer o tratamento manualmente, sugerindo ao público uma metáfora da relação ainda confusa entre o homem e a eletricidade. “Discreta, prática e delicada, ajuda o médico nos procedimentos e tem importante virada ao conhecer a Sra. Daldry.”

Rafael Primot – Leonard Irving
Simboliza a liberdade e o autoconhecimento. Único personagem livre da peça, é um artista que volta da Itália por causa de uma desilusão amorosa. Procura o Dr. Givings para se livrar de sua decepção e, por meio do tratamento, descobre novas formas de prazer. “Ele é uma brincadeira, o masculino dentro de uma peça que fala sobre o orgasmo feminino. Ele é livre com a sua sexualidade. Para a história, não importa se ele é gay, hétero ou bissexual; é acima de tudo um espírito livre de preconceitos, que não se encaixa em nenhum rótulo.”

Maria Bia – Elizabeth
Acaba de perder seu bebê e trabalha como ama de leite na casa de Dr. Givings. Descendente de escravos e vivendo na periferia, é a mais objetiva da história. Seu foco é suprir necessidades práticas – de dinheiro e de alimento para os dois filhos. É bem resolvida com sua sexualidade e feliz no seu casamento. “Elizabeth não está ali para fazer rir, é uma mulher com uma cicatriz que provoca no público uma reflexão.” Maria Bia, que já atuou em diversos musicais, canta as músicas de abertura e encerramento, além de uma opereta italiana entre o primeiro e segundo ato.

Sobre a diretora Yara de Novaes:
Mineira de Belo Horizonte, formada em Letras pela UFMG, seguiu a carreira teatral por vocação. Sua estreia como diretora foi em Casablanca, Meu Amor, de Fernando Arrabal, a convite de Inês Peixoto e Amauri Reis. Deu aulas de teatro nas universidades UNI-BH e PUC Minas. Na Cia. Odeon, dirigiu Ricardo III, de Shakespeare. Em 2006, em São Paulo, entrou para o elenco de O Inspetor Geral, montada pelo grupo Galpão, sob a direção de Paulo José. Fundou o Grupo 3 de Teatro, com a atriz Débora Falabella e o produtor Gabriel Paiva, para montar O Continente Negro, de Marco Antonio de La Parra, com direção de Aderbal Freire Filho; Noites Brancas, de Dostoievski; e A Serpente, de Nelson Rodrigues, ambos dirigidos por ela. Recentemente, assinou a direção dos espetáculos A Mulher Que Ri, de Paulo Santoro, e O Caminho para Meca, de Athol Furgard, com Cleyde Yáconis e Cacá Amaral. Esteve recentemente em cartaz com a peça Contrações, no Centro Cultural Banco do Brasil.

SERVIÇO:
Reestreia dia 14 de março, sexta-feira, às 22h45, no Teatro Gazeta. Avenida Paulista, 900.
Telefone: (11) 3253-4102
Capacidade: 700 lugares
Possui ar-condicionado e acesso para deficientes. *Estacionamento MultiPark, conveniado com o teatro. Rua São Carlos do Pinhal, 303 – Subsolo. De quinta a domingo, R$ 20,00. Até 3 horas. Somente válido nos horários de apresentação dos espetáculos em cartaz no Teatro Gazeta.

Temporada: De 14 de março a 6 de abril
Horários: Sextas, às 22h45, sábados, às 22h, e domingos, às 18h. Ingressos: 50,00. (meia entrada para estudantes, aposentados e idosos)
Bilheteria: de terça a quinta, das 14h às 20h; de sexta a domingo, das 14h até o início do último espetáculo. Pelo (11) 4003-1527 ou pelo www.teatrogazeta.com.br.
Duração: 110 minutos
Classificação etária: 14 anos

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