Denise Fraga volta aos palcos com a peça A Visita da Velha Senhora


02/08/2018 09:01 - Do Clickcultural

“Encenar a Visita depois de A Alma Boa e Galileu é quase como finalizar uma trilogia” – diz Denise Fraga. “A trilogia de nosso eterno dilema entre a ética e o ganha pão.”

Em A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht, espetáculo visto por mais de 220.000 pessoas, entre os anos de 2008 e 2010, a personagem principal perguntava: Como posso ser boa se eu tenho que pagar o aluguel? Como posso ser bom e sobreviver no mundo competitivo em que vivemos?

Em Galileu Galilei, também de Brecht, espetáculo que esteve um ano e oito meses em cartaz e foi visto por mais de 140.000 pessoas, o tema é revisitado: Como posso ser fiel ao que penso sem sucumbir ao poder econômico e político vigente? Como manter meus ideais comprando meu vinho bom?

Agora chega A Visita da Velha Senhora, nova parceria e patrocínio do Banco Bradesco, com 13 atores em cena, em que Friedrich Dürrenmatt expõe a fragilidade de nossos valores morais e de nossa noção de justiça quando a palavra é dinheiro. A protagonista da peça é quase a encarnação mítica do poder material, a milionária Claire Zachanassian, vivida por Denise Fraga, que com seu bilhão põe em xeque a cidade de Güllen.

O enredo é aparentemente simples. Os cidadãos de Güllen, uma cidade arruinada, esperam ansiosos a chegada da milionária que prometeu salvá-los da falência. No jantar de boas-vindas, Claire Zachanassian impõe a condição: doará um bilhão à cidade se alguém matar Alfred Krank, o homem por quem foi apaixonada na juventude e que a abandonou grávida por um casamento de interesse. Ouve-se um clamor de indignação e todos rejeitam a absurda proposta. Claire, então, decide esperar, hospedando-se com seu séquito no hotel da cidade.

A partir dessa premissa, o suiço Friedrich Dürrenmatt nos premia com uma obra-prima da dramaturgia, construindo uma rede de cenas que se entrelaçam, cheias de humor e ironia, um desfile de personagens humanos e reconhecíveis que pouco a pouco, vão escancarando a nossa fragilidade diante do grande regente de nossas vidas: o dinheiro. Quem mata Krank? Cairá Güllen na tentação de satisfazer o desejo de vingança da milionária? Ou fará justiça? O que é fazer justiça? Até que ponto a linha ética se molda ao poder dinheiro?

Dürrenmatt caracteriza A Visita da Velha Senhora como uma comédia trágica e com seu humor cáustico nos pergunta: Até onde nos vendemos para poder comprar? Como o poder e o dinheiro vão descaracterizando os nossos ideais? Por outro lado, quanto nos custa a não submissão? O texto se desenrola abrindo ainda outros ramos de reflexão. Dürrenmatt era completamente obcecado pela questão da justiça e as sutilezas de suas fronteiras. O que é justo? O que significa justiça em nossos tempos? Até que ponto o valor moral da justiça se adequa ao poder? Reconhecível no Brasil nos dias de hoje? A Visita da Velha Senhora expõe questões que sempre estiveram em pauta na história da humanidade, mas que caem como uma luva em nossos tão tristes tempos.

“Acredito no poder de transformação pela arte. Na formação do indivíduo pela arte. O teatro como espelho do mundo, nos fazendo rir para nos reconhecer, dando voz a nossa angústia, dando palavras àquilo que pensamos e não sabemos dizer. O humor e a poesia nos ajudando a elaborar o pensamento para agir, para transformar, para viver criativamente, para por a mão da massa da nossa história”, afirma Denise Fraga. “Depois de dois anos e meio de A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht, e um ano e meio de Galileu Galilei, do mesmo gênio alemão, sou mais uma vez surpreendida pela potente atualidade de um clássico. Não foi por acaso que cheguei a Dürrenmatt. Foi discípulo, bebeu em Brecht. Lá está o mesmo fino humor, a mesma ironia e teatralidade. Dürrenmatt também se faz valer do entretenimento para arrebatar o público para a reflexão”.

É natural finalizar tal “trilogia” com a obra máxima de Dürrenmatt. Como Brecht, Dürrenmatt é mestre em dissecar as relações de poder e os conflitos morais em suas obras, em questionar o papel do herói e a sua necessidade para uma sociedade justa, em fazer uso do humor para gerar reflexão. Nas três peças: Alma Boa, Galileu Galilei e A Visita da Velha Senhora, tudo isso está explícito. A diferença é que Brecht prefere desconstruir as ilusões de que nos alimentamos e propor uma possível transformação, enquanto Dürrenmatt as mantém vivas e ri delas por serem apenas isso: ilusões, enganos pelos quais lutamos e sempre lutaremos.

A direção é do cineasta Luiz Villaça, que depois do sucesso de Sem Pensar, de Anya Reiss, e A Descida do Monte Morgan, de Arthur Miller, retorna mais uma vez ao teatro.

A montagem tem a sofisticação de contar com Cenários e Figurinos de Ronaldo Fraga, a batuta do maestro Dimi Kireeff na Direção Musical, o Desenho de Luz de Nadja Naira da companhia brasileira de teatro, Lucia Gayotto na Preparação Vocal e Keila Bueno nas Coreografias e Preparação Corporal e Simone Batata no Visagismo.

O espetáculo cumpriu temporada de 6 meses no Teatro do SESI, em São Paulo, e em sua turnê nacional foi apresentado no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Belém, Fortaleza, Recife, Maceió, Sete Lagoas, Ipatinga, Petrópolis, Itapetininga, Ribeirão Preto e Campinas, totalizando 160 sessões e um público de mais de 80.000 pessoas. O espetáculo recebeu o Prêmio Shell de Melhor Figurino para o criador e estilista Ronaldo Fraga e está nominado ao Prêmio Aplauso Brasil nas categorias Melhor Atriz (Denise Fraga), Melhor Direção (Luiz Villaça), Melhor Arquitetura Cênica (Ronaldo Fraga) e Melhor Espetáculo Independente.

SERVIÇO:

Teatro Sergio Cardoso

Sala Sérgio Cardoso (835 lugares)

Rua Rui Barbosa, 153. Bela Vista

Bilheteria: 3288.0136

De segunda a sábado, das 14h às 17h, para vendas antecipadas. De segunda a domingo, das 14h até o início do espetáculo. Aceita todos os cartões. Para Vale-Cultura, apenas bandeira Alelo
Vendas: www.ingressorapido.com.br e 4003.1212



Sexta às 21h | Sábado às 17h e 21h | Domingo às 18h

Ingressos:

Sexta e Sábado às 17h:

R$ 60 (Plateia Central) | R$ 50 (Plateia Lateral) | R$ 40 (Mezanino)

Sábado às 21h e Domingo:

R$ 80 (Plateia Central) | R$ 60 (Plateia Lateral) | R$ 40 (Mezanino)

Vendas antecipadas:

Para ingressos adquiridos no mês de Julho, para todas as sessões:

R$ 50 (Plateia Central) | R$ 40 (Plateia Lateral) | R$ 30 (Mezanino)



*Todas as sessões de agosto às 17h terão disponíveis: áudio descrição e intérprete em libras*

Classificação indicativa: 14 anos

Duração: 120 minutos

Gênero: comédia trágica

Estreou dia 18 de agosto de 2017

Reestreia dia 03 de Agosto de 2018

Temporada: até 30 de Setembro

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