GONZAGÃO – A LENDA estreia nesta semana em SP

Divulgaçao

21/10/2013 13:42 - Do ClickCultural

De 24 de outubro a 1º de dezembro, oito atores e uma atriz se revezam no palco em uma viagem musical pela trajetória do Rei do Baião. Como em qualquer história de homem que vira mito, a vida de Luiz Gonzaga tem passagens em que as versões de seus biógrafos não convergem, em que realidade e fantasia se confundem, e o autor e diretor João Falcão se sentiu livre para tratar mais do mito do que do homem.

“É a história de Luiz Gonzaga, mas não é Wikipédia”, diz Falcão, que evitou qualquer didatismo na construção do texto, embora tenha lido vários livros sobre um dos artistas mais importantes da música brasileira, morto em 2 de agosto de 1989, cujo centenário de nascimento foi comemorado em dezembro de 2012.

A opção por uma abordagem teatral, não enciclopédica, fica explícita logo no início da peça, quando uma trupe se apresenta para contar a “lenda do Rei Luiz”. Os atores desta trupe anunciam que encenarão uma história iniciada “no sertão do Araripe lá pelos idos do século XX”.

As referências são maciçamente nordestinas, sobretudo pernambucanas. Luiz Gonzaga nasceu no município de Exu, de onde saiu aos 17 anos para ganhar o mundo. João Falcão também é de Pernambuco, da cidade de São Lourenço da Mata. “A festa mais importante da minha casa era a de São João, e São João era Luiz Gonzaga. Ele era patrimônio do povo, mais do que qualquer outro artista. Poucas músicas que estou usando no espetáculo descobri agora. A maioria eu sabia de cor, já sabia tocar”, conta ele, que também é compositor.

Na história do rei do baião, João Falcão se permitiu rebatizar duas mulheres importantes da vida do músico, Nazarena (o primeiro grande amor) e Odaléa (a mãe de Gonzaguinha) como Rosinha e Morena, respectivamente, nomes que aparecem em músicas do compositor. E ainda se permitiu criar um encontro que nunca aconteceu: Luiz Gonzaga e Lampião, dois mitos nordestinos. Também há espaço para se falar da originalidade de Gonzaga, um artista que, a partir dos ensinamentos de seu pai, Januário, criou em sua sanfona um gênero, o baião, e o transformou em sucesso e patrimônio nacionais.

Dentre as cerca de 40 canções que estão no espetáculo há sucessos como “Cintura fina”, “O xote das meninas”, “Qui nem jiló”, “Baião”, “Pau-de-arara” e sua mais célebre criação, “Asa branca”. De acordo com a linha não dogmática de todo o espetáculo, o diretor musical Alexandre Elias não ficou preso à estrutura básica do forró, que é sanfona-triângulo-zabumba. No conjunto dos quatro instrumentistas virtuoses que atuam no palco, há, além do sanfoneiro (Rafael Meninão) e do percussionista (Rick De La Torre), um violoncelista (Daniel Silva) e um rabequeiro e violeiro (Beto Lemos). Os arranjos de todas as músicas foram elaborados pelos quatro músicos, juntamente com o diretor musical. Beto Lemos rouba a cena em “Assum Preto”, em um solo de rabeca que já foi aplaudido durante cinco minutos em cena aberta.

CURIOSIDADES:

- Nessa montagem, João Falcão apresenta dois novos talentos ao público:

- Marcelo Mimoso, que narra boa parte da história de Gonzaga no palco e canta a maioria das músicas, nunca tinha assistido a uma peça antes. Filho de sanfoneiro, Marcelo é taxista e também cantor de forró. Foi descoberto pelo diretor João Falcão numa noite em que se apresentava em um bar da Lapa.

- O único papel feminino do elenco era de Laila Garin, que foi atriz convidada para fazer o musical Elis no papel protagonista, dando lugar a Larissa Luz, que não é atriz, mas cantora. Descoberta por João, assim como Marcelo Mimoso, Larissa era cantora do famoso grupo baiano Araketu e é a sua estreia no teatro. “Vi Larissa cantando num vídeo de internet que um amigo me mostrou”, conta o diretor que confessa gostar de experimentar pessoas em outras áreas de atuação. “Reconheci ali um talento assim que vi as imagens. Larissa é muito expressiva e tem uma presença muito forte. O grupo já era muito coeso e tinha de ser uma pessoa que se entrosasse bem com eles. Nos conhecemos pessoalmente, fizemos uma leitura e nos apaixonamos por ela. Larissa conseguiu pegar tudo muito rápido e faz um belíssimo trabalho”, afirma entusiasmado João Falcão.

SERVIÇO:

GONZAGÃO – A LENDA
Sesc Belenzinho (392 lugares)
Rua Padre Adelino, 1000
Telefone: (11) 2076-9700 | www.sescsp.org.br/belenzinho
Ingressos à venda pela Rede INGRESSOSESC (unidades do Sesc) e pelo Portal Sesc SP www.sescsp.org.br , a partir de 1º de outubro, às 14h
Estacionamento: R$ 6 (não matriculado); R$ 3,00 (matriculado no SESC - trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo / usuário).
Sextas e Sábados, às 21h | Domingos e feriados (2 e 15/11), às 18h.
Ingressos: R$ 25
R$ 12,50 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino).
R$ 5 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes).
Duração: 80 minutos
Recomendado: 12 anos
Curta Temporada: De 24 de outubro a 1º de dezembro

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